5 de junho
Notícias  |   O Problema  |   Males  |   Prevenção  |   Material de Apoio  |   Mídia  |   Fórum

FÓRUM DO MEIO AMBIENTE: SBC EM DESTAQUE EM NOVO CONTEXTO


O “Fórum de Discussão sobre as Doenças Cardiovasculares e o Meio Ambiente”, promovido pela SBC no auditório do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE) em São Paulo, foi um marco, na medida em que colocou a entidade mais uma vez numa posição de pioneirismo.

O fórum abriu o debate necessário sobre os efeitos da poluição na saúde humana, comprovou que não só a poluição do ar, mas também a hídrica, presente nos pólos de pobreza, reduzem a expectativa de vida e aumentam a incidência de doenças cardiovasculares e sua letalidade. Apontou as ações, inclusive tecnologias, que podem minimizar o problema e teve o dom de denunciar a prevalência da preocupação econômica e a ausência da figura do ser humano em muitos programas nacionais para a redução da poluição.

Prestigiado por médicos de diversas especialidades, por jornalistas, pelas academias Paulista de Medicina e Brasileira de Ciências, por representantes do Banco Mundial, de universidades, do Tribunal Regional do Trabalho, da Federação das Indústrias, do Senado Federal e pelo renomado professor John J. Godleski, da Harvard University, o evento demonstrou, na visão do presidente da SBC, Antonio Carlos Palandri Chagas, “que os vários segmentos da sociedade brasileira estavam prontos para atender ao chamado de um esforço conjunto, alertar e discutir a poluição ambiental e seus efeitos sobre o ser humano”.

O professor Chagas abriu o evento, ao lado da presidente da Academia Paulista de Medicina e do Comsaúde, Yvonne Capuano. Ele se referiu à preocupação ambiental da SBC e revelou que, aliada ao Laboratório de Poluição Ambiental da USP, promoveu uma pesquisa na área central de São Paulo, em que centenas de voluntários foram testados para avaliação do índice de monóxido de carbono existente no pulmão.

MONÓXIDO PRESENTE ATÉ NO PULMÃO DE NÃO FUMANTES
O levantamento mostrou que 4% das pessoas não fumantes tiveram resultado positivo para o monóxido de carbono. O presidente do Funcor, Rui Fernando Ramos, ressaltou que o resultado é mais preocupante, na medida em que o teste foi feito num dia em que não era elevada a poluição em São Paulo.

Também durante o evento foi apresentada uma pesquisa cujo resultado mostrou que, nos dias de poluição elevada, o Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo tem um acréscimo médio de oito mortes por doenças cardiovasculares. Dado semelhante foi apresentado pelo conferencista da Escola de Saúde Pública da Harvard University, cuja estatística indica que as mortes, em dias de alta concentração de poluentes no ar, afetam principalmente os paciente com doença coronária pré-existente.

O fórum serviu para marcar a diversidade dos problemas. O embaixador Rubens Ricupero mostrou como o crescimento explosivo das cidades afetou a qualidade de vida da população, mas indicou que, no futuro, a urbanização há de se concentrar nas cidades médias, enquanto a população começará a encolher, pela redução da população devido à diminuição da taxa de natalidade. O professor Paulo Hilário Saldiva apresentou gráficos mostrando índices de poluição, em diversos pontos da cidade de São Paulo, e disse a frase que resume a denúncia feita pelo fórum: “o homem não aparece na agenda ambiental brasileira”.

O representante da Secretaria dos Transportes do Estado mostrou como São Paulo está privilegiando o transporte sobre trilhos, que não é poluente, e detalhou os testes feitos com o primeiro ônibus a hidrogênio da América Latina. Enquanto o representante da Anfavea mostrou que, por mais que a indústria se modernize produzindo veículos menos poluentes, a frota brasileira de automóveis possui dezenas de milhões de motores com idade média altamente nociva ao meio ambiente.

O debate tornou-se multidisciplinar com a interferência do senador Romeu Tuma e do ex-ministro Adib Jatene, que propôs um esforço conjunto para a substituição do diesel pelo álcool, menos poluente, hoje impossível por motivos econômicos, uma vez que o alto subsídio ao diesel acaba tornando o combustível mais barato do que o álcool.

Ao encerrar o encontro, o presidente Chagas e a presidente da Academia Paulista de Medicina deixaram claro que o fórum foi apenas um ponto de partida para que as entidades presentes e os representantes dos mais diversos setores da sociedade empenhem-se na busca de soluções que, a médio prazo, vão representar maior qualidade de vida e menor risco cardiovascular para o brasileiro.

APELO AO GOVERNO FEDERAL
Como resultado do compromisso firmado durante o fórum, a SBC, em nome de seus mais de 12 mil associados, preparou documento direcionado ao ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, “propondo que assuma, pessoalmente, a liderança nessa luta, cujo objetivo final é reduzir os efeitos das doenças cardiovasculares que, ainda hoje, matam, a cada ano, 300 mil cidadãos brasileiros”.

Clique aqui e leia na íntegra a carta enviada ao Ministro do Meio Ambiente.

Fonte: Assessoria de imprensa
Jornalista responsável: Luiz Roberto Queiroz

Voltar para a página de Notícias.

Desenvolvido pela Diretoria de Tecnologia da SBC | Sociedade Brasileira de Cardiologia | tecnologia@cardiol.br