
FÓRUM DO MEIO AMBIENTE: SBC EM DESTAQUE EM NOVO CONTEXTO
O “Fórum de Discussão sobre as Doenças Cardiovasculares e o Meio
Ambiente”, promovido pela SBC no auditório do Centro de Integração
Empresa-Escola (CIEE) em São Paulo, foi um marco, na medida em que
colocou a entidade mais uma vez numa posição de pioneirismo.
O fórum abriu o debate necessário sobre os efeitos da poluição na
saúde humana, comprovou que não só a poluição do ar, mas também a
hídrica, presente nos pólos de pobreza, reduzem a expectativa de
vida e aumentam a incidência de doenças cardiovasculares e sua
letalidade. Apontou as ações, inclusive tecnologias, que podem
minimizar o problema e teve o dom de denunciar a prevalência da
preocupação econômica e a ausência da figura do ser humano em muitos
programas nacionais para a redução da poluição.
Prestigiado por médicos de diversas especialidades, por jornalistas,
pelas academias Paulista de Medicina e Brasileira de Ciências, por
representantes do Banco Mundial, de universidades, do Tribunal
Regional do Trabalho, da Federação das Indústrias, do Senado Federal
e pelo renomado professor John J. Godleski, da Harvard University, o
evento demonstrou, na visão do presidente da SBC, Antonio Carlos
Palandri Chagas, “que os vários segmentos da sociedade brasileira
estavam prontos para atender ao chamado de um esforço conjunto,
alertar e discutir a poluição ambiental e seus efeitos sobre o ser
humano”.
O professor Chagas abriu o evento, ao lado da presidente da Academia
Paulista de Medicina e do Comsaúde, Yvonne Capuano. Ele se referiu à
preocupação ambiental da SBC e revelou que, aliada ao Laboratório de
Poluição Ambiental da USP, promoveu uma pesquisa na área central de
São Paulo, em que centenas de voluntários foram testados para
avaliação do índice de monóxido de carbono existente no pulmão.
MONÓXIDO PRESENTE ATÉ NO PULMÃO DE NÃO FUMANTES
O levantamento mostrou que 4% das pessoas não fumantes tiveram
resultado positivo para o monóxido de carbono. O presidente do
Funcor, Rui Fernando Ramos, ressaltou que o resultado é mais
preocupante, na medida em que o teste foi feito num dia em que não
era elevada a poluição em São Paulo.
Também durante o evento foi apresentada uma pesquisa cujo resultado
mostrou que, nos dias de poluição elevada, o Hospital das Clínicas
da Universidade de São Paulo tem um acréscimo médio de oito mortes
por doenças cardiovasculares. Dado semelhante foi apresentado pelo
conferencista da Escola de Saúde Pública da Harvard University, cuja
estatística indica que as mortes, em dias de alta concentração de
poluentes no ar, afetam principalmente os paciente com doença
coronária pré-existente.
O fórum serviu para marcar a diversidade dos problemas. O embaixador
Rubens Ricupero mostrou como o crescimento explosivo das cidades
afetou a qualidade de vida da população, mas indicou que, no futuro,
a urbanização há de se concentrar nas cidades médias, enquanto a
população começará a encolher, pela redução da população devido à
diminuição da taxa de natalidade. O professor Paulo Hilário Saldiva
apresentou gráficos mostrando índices de poluição, em diversos
pontos da cidade de São Paulo, e disse a frase que resume a denúncia
feita pelo fórum: “o homem não aparece na agenda ambiental
brasileira”.
O representante da Secretaria dos Transportes do Estado mostrou como
São Paulo está privilegiando o transporte sobre trilhos, que não é
poluente, e detalhou os testes feitos com o primeiro ônibus a
hidrogênio da América Latina. Enquanto o representante da Anfavea
mostrou que, por mais que a indústria se modernize produzindo
veículos menos poluentes, a frota brasileira de automóveis possui
dezenas de milhões de motores com idade média altamente nociva ao
meio ambiente.
O debate tornou-se multidisciplinar com a interferência do senador
Romeu Tuma e do ex-ministro Adib Jatene, que propôs um esforço
conjunto para a substituição do diesel pelo álcool, menos poluente,
hoje impossível por motivos econômicos, uma vez que o alto subsídio
ao diesel acaba tornando o combustível mais barato do que o álcool.
Ao encerrar o encontro, o presidente Chagas e a presidente da
Academia Paulista de Medicina deixaram claro que o fórum foi apenas
um ponto de partida para que as entidades presentes e os
representantes dos mais diversos setores da sociedade empenhem-se na
busca de soluções que, a médio prazo, vão representar maior
qualidade de vida e menor risco cardiovascular para o brasileiro.
APELO AO GOVERNO FEDERAL
Como resultado do compromisso firmado durante o fórum, a SBC, em
nome de seus mais de 12 mil associados, preparou documento
direcionado ao ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, “propondo que
assuma, pessoalmente, a liderança nessa luta, cujo objetivo final é
reduzir os efeitos das doenças cardiovasculares que, ainda hoje,
matam, a cada ano, 300 mil cidadãos brasileiros”.
Clique aqui e leia na íntegra a carta enviada ao Ministro do Meio
Ambiente.
Fonte: Assessoria de imprensa
Jornalista responsável: Luiz Roberto Queiroz