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A Cardiopatia de Bill Clinton


Causou espanto a notícia sobre o ex-presidente norte-americano. Com todos os recursos existentes, com o conhecido e constante cuidado dedicado a ele e a outros ex, tanto no item segurança como no de saúde, a surpresa do acontecimento realmente nos obriga a uma análise dos hábitos de vida pouco recomendáveis. É interessante lembrar que exames de check-up geral são obrigatórios para esses líderes. Em nossa volta, a moda também voltou. Qual seu valor? Não adianta caprichar nos exames e depois não cultivar hábitos saudáveis de vida.


O ex-presidente de 58 anos sempre foi um apaixonado por lanches (gordurosos) e ultimamente decidiu fazer a famosa The South Beach Diet para perder peso. Havia diminuído a atividade física devida aos inúmeros convites para palestras (ao preço médio U$ 100 000, 00 cada), e estava bem resolvido quanto ao controle de seu estresse e sabia que tinha níveis de colesterol um pouco elevados aos quais não deu muita atenção.


Dias antes da cirurgia teve sintomas suspeitos de angina e iniciou tratamento, mas ao complementar os exames, foram detectadas pela cinecoronariografia quatro lesões que obstruíam a passagem do sangue pelas coronárias, os vasos que nutrem o coração. A mais importante chegava a mais de 90% de obstrução. O tratamento nesses casos é a cirurgia de pontes de veia safena ou implante de artéria mamária, nele foram colocados: uma ponte de safena e três desvios com duas mamárias.


O risco dessa cirurgia, nos melhores Hospitais especializados atinge 1% a 2 % e depende tanto do cirurgião como de um boa equipe de pós-operatório. Após a alta que via de regra é no quinto ou sexto dia, na convalescença exige-se uma reeducação alimentar, medicação à base de estatinas e anti-agregantes das plaquetas e exercícios físicos supervisionados por cardiologista e professor de educação física. A longo prazo o prognóstico é bom se seguir as orientações.


Não quero deixar de alertar que a cirurgia não evita um possível aparecimento de obstruções em outros locais do coração, tudo depende dos cuidados médicos e sem dúvida da genética de cada um, porém a Medicina atual tem meios de descobrir e tratar dos problemas que surgirem.



Fonte: Sociedade Brasileira de Cardiologia
Colaboração: Nabil Ghorayeb
Cardiologista e médico do esporte
www.cardioesporte.com.br



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