• Obesidade e Inibidores de apetite – cuidados para o uso desse medicamento

      A obesidade é uma epidemia mundial que pode levar a complicações sérias como hipertensão, diabetes, infarto, derrame, entre outras.

      No brasil mais da metade da população está obesa. No último dia 23 o presidente da República em exercício, Rodrigo Maia, sancionou a lei que libera a prescrição e venda de substâncias usadas para inibir o apetite o que causou grande repercussão na medicina e na população em geral.

      Em 2011 as anfetaminas, anfepramona, femproporex e mazindol, foram proíbas pela ANVISA de serem comercializadas no Brasil, algo que já acontecia na Europa e nos Estados Unidos, por falta de comprovação científica de segurança e eficácia dessas medicações. A sibutramina, outra medicação para diminuição do apetite, se manteve no mercado mas com restrições na compra, o paciente tinha que assinar um termo de responsabilidade. Com a nova lei essas medicações passam a ser comercializadas mediante receituário especial, a famosa receita azul, podendo ser prescrita por qualquer médico, independente de sua especialidade.

      Com a proibição na comercialização das anfetaminas os obesos ficaram sem tratamento medicamentoso específico, o que levou ao apelo por essa lei com o apoio de vários médicos e pacientes. A grande discussão que deveria ter sido feito é se o benefício da perda de peso induzida pelas medicações é maior que os efeitos colaterais e os riscos do aparecimento de doenças graves. Em outras palavras, é melhor tratar o obeso com medicações sujeitas a efeitos colaterais e complicações sérias ou deixar sem tratamento medicamentoso, restando apenas a cirurgia bariátrica como opção? Essas medicações agem inibindo o apetite e aumentando o metabolismo do organismo levando a perda de peso significativas durante o tratamento. Por outro lado, podem causar efeitos colaterais como arritmia cardíaca, hipertensão arterial, infarto do miocárdio, derrame, irritibilidade, insônia, transtornos psiquiátricos, além de dependência química. A utilização por pessoas que querem perder 4 quilos para o verão deve ser completamente desencorajada, pois os riscos são muito maiores que o benefício.

      O uso deveria ser restrito aos muito obesos, com IMC maior que 35kg/m2, durante 2 a 3 meses e o tratamento da obesidade mantido a longo prazo com atividade física e alimentação correta, que é a forma mais saudável de controle do peso. O uso por períodos superiores a 3 meses pode levar a dependência química aumentando os riscos de efeitos colaterais. Antes da proibição muitas pessoas usavam as anfetaminas de forma contínua, ao longo de vários anos. Infelizmente as pessoas querem uma pílula mágica, que ingere à noite e acorda magra no dia seguinte. O controle do peso deve ser feito continuamente durante toda a vida e deveria iniciar na infância com os incentivos para a realização de atividade física rotineira e controle alimentar.

      Vale lembrar que anfetamina é mesma substância que alguns caminhoneiros utilizam para se manter acordados e dirigir por mais tempo, também conhecida como Rebite.

      Apesar das críticas, as anfetaminas poderão voltar a ser prescritas e comercializadas. Esperamos muito bom senso na utilização dessas substâncias com potencial risco de induzir outras doenças e complicações.

       

      Fonte: Sociedade Brasileira de Cardiologia

      Atualizado em: 03/07/2017