• Rotulagem nutricional: existe um modelo ideal?

      São três os modelos de rótulos nutricionais em discussão no Brasil: o da Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação – Abia, o do Instituto de Defesa do Consumidor – Idec, e o da Associação Brasileira de Nutrologia – Abran.

      Modelo Abia (semáforo nutricional): A proposta do setor para a Rotulagem Nutricional Frontal é o Semáforo Nutricional Quantitativo, com base indicativa por porção, no qual os ícones de sódio, açúcares totais e gordura saturada passam a ser coloridos em verde, amarelo ou vermelho, facilitando o entendimento do consumidor sobre a quantidade de cada nutriente contida nos alimentos. O painel também terá a indicação de Valor Energético por porção e sua relação com o valor diário recomendado. A ideia é que o consumidor possa combinar alimentos rotulados com as diferentes cores, de forma a compor sua dieta e não ultrapassar a recomendação diária para cada um dos nutrientes.



      Modelo Idec: A proposta, realizada em parceria com pesquisadores da UFPR (Universidade Federal do Paraná), sugere que se inclua um selo de advertência, na parte da frente da embalagem de alimentos processados e ultraprocessados (como sopas instantâneas, refrigerantes, biscoitos, etc.), indicando quando há excesso de açúcar, sódio, gorduras totais e saturadas, além da presença de adoçante e gordura trans em qualquer quantidade. Os critérios para inclusão dos nutrientes críticos abordados no Modelo foram baseados nas metas de ingestão de nutrientes para a população (MINPs) estabelecidas pela OMS para prevenção da obesidade e das DCNTs relacionadas descritas em Dieta, Nutrição e Prevenção de Doenças Crônicas, uma publicação da OMS e da FAO que indica quais nutrientes devem ser analisados e informa os níveis máximos aceitáveis de consumo.



      Na opinião do coordenador do Departamento de Nutrição da SBC, Daniel Magnoni, o modelo de advertência se destaca e se sobrepõe ao alimento comprometendo a percepção de informações que podem interessar ao consumidor. “O modelo do semáforo nutricional quantitativo, proposto pela Abia, fornece informações para que o consumidor faça suas escolhas alimentares. Já o modelo baseado em advertência do Idec é pouco democrático, tira a escolha do consumidor e faz essa escolha por ele, na medida em que passa a mensagem do que pode ou não ser consumido, com informações vagas como “muito”, “alto” e outras mensagens taxativas”, avalia.

      Modelo Abran: A Abran propôs à Anvisa o modelo Nutri-score, desenvolvido pela Universidade Paris XIII e que passou a ser utilizado na França recentemente. Ele avalia cada alimento de acordo com sua densidade nutricional, ou seja, qualidade nutricional como um todo, incluindo os ingredientes bons e ruins para a saúde. A diferença entre os modelos Nutri-score e Semáforo Nutricional Quantitativo é que o defendido pela Abran usa também letras.

       

      Fonte: Sociedade Brasileira de Cardiologia

      Atualizado em: 18/04/2018