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Pense Nisto

Tanto os altos como os baixos do açúcar no sangue têm conseqüências no raciocínio e na memória. Ou seja: o diabético que anda em cima da linha gratne também uma vida longa e plena para seu cérebro

Por Maurício Oliveira
Fonte: Especial Diabete da Revista Saúde é Vital! Nº60

A ciência está cada vez mais empenhada em compreender e tentar prevenir os possíveis danos acarretados pelo diabete ao cérebro.

Diversos estudos já comprovaram que a falta de comando nos valores de glicemia tem um efeito negativo imediato na capacidade de raciocínio e de memória - e há fortes indícios de que a manutenção desse desequilíbrio por longos períodos pode tornar os prejuízos permanentes. Sabe-se, por exemplo, que diabéticos têm duas vezes mais doenças neuro-degenerativas, como Alzheimer e Parkinson, do que a população em geral.

A correlação parece tão próxima que uma das linhas de pesquisa sobre o mal de Alzheimer, que atinge 30 milhões de pessoas no mundo, estuda a hipótese um tanto inusitada de que ele possa vir a ser considerado um terceiro tipo de diabete, cujo cenário exclusivo seria o cérebro- uma idéia que ainda merece muita investigação científica.

“Nem todas as pessoas que desenvolvem doenças que arrasam o cérebro, como o Alzheimer, apresentam diabete. E nem todos os portadores de diabete chegam ao ponto de desenvolve-las”, faz questão de ressaltar o endocrinologista Fadlo Fraige Filho, presidente da Associação Nacional de Assistência ao Diabético (Anad). Ou seja, parece haver um parentesco entre esses males, mas não uma relação íntima e direta.

Decifrar o enigma depende, em grande parte, da evolução das tecnologias de mapeamento e observação. Foi graças ao uso de sofisticado tipo de ressonância magnética, chamado morfometria voxel-a-voxel, que especialistas do Centro de Diabetes Joslin, em Boston, Estados Unidos, conseguiram identificar em pacientes com diabete tipo 1 uma sutil redução na densidade da massa cinzenta em áreas responsáveis por memória, aprendizado e processamento de linguagem. Ainda que o estudo não tenha encontrado evidências de que tais alterações impliquem necessariamente na diminuição da capacidade cognitiva, a descoberta fornece pistas importantes. A principal delas, adivinhe qual é: pacientes com histórico de displicência com o sobe-e-desce do açúcar no sangue ou que tiveram várias crises fortes de hipoglicemia ao longa da vida apresentaram maior perda de massa cinzenta. “Controlar a glicose é a atitude mais importante para prevenir danos ao cérebro”, conclui Fraige Filho.Além do uso de medicamento para manter a glicemia dentro dos níveis recomendados, os médicos afirmam que manter o cérebro funcionando a pleno vapor por muitos anos exige ainda os hábitos saudáveis de que tanto se fala: a alimentação e os exercícios encabeçam a lista, Mas, justamente na última recomendação pode estar uma armadilha.

“Os exercícios tornam a pessoa mais sensível à ação da insulina. Isso é bom, sem dúvida, porque tira o excesso de glicose de circulação. Mas, se não forem bem orientados, multiplicam o risco de crises de hipoglicemia”, pondera a coordenadora do programa de Educação em Diabete da Universidade de Brasília (UnB), Jane Dullius. “Ora, assim como o açúcar nas alturas, o quadro em que a glicemia despenca também pode causar danos cerebrais”, ela adverte.

Jane sabe do que está falando: ex-atleta de ginástica olímpica e portadora de diabete do tipo 1 desde criança, ela enfrentou nove hipoglicemias severas ao longo da vida, ocasiões em que chegou a perder a consciência. ”Após cada uma dessas crises, senti dificuldade para acessar na memória conceitos e informações que eu dominava, era como se o caminho estivesse obstruído”, descreve. Explicas-se: desprovido de seu principal combustível (a glicose), o cérebro desliga as funções que seriam menos importantes - nesse caso, a captura de lembranças – para garantir outras mais essências para a sobrevivência, como a manutenção dos batimentos cardíacos.

Hoje, aos 48 anos, Jane convive com dificuldade de memória que colegas da mesma faixa etária não têm. Ela está convicta de que o problema só não avançou mais rapidamente porque sua última grande crise ocorreu há seis anos – graças à evolução de aparelhos para medir a glicose e de medicamentos que permitem dosagens mais adequadas a cada momento do dia.

O exemplo de Jane, porém, não deve ser considerado padrão, já que, para a maioria dos diabéticos, o problema é a falta – e não o excesso – de exercícios. Vale repetir: desde que feitos com acompanhamento médico e os devidos cuidados – como se alimentar antes do esforço físico - eles serão certamente mais benéficos que maléficos.

É IDADE OU O DIABETE?

Males associados ao envelhecimento podem se confundir com complicações da doença Levando em conta que os danos causado pelo diabete ao cérebro são lentos e sutis, nem sempre é fácil relacioná-los com o distúrbio – muitas vezes, eles se parecem com os sintomas do processo de envelhecimento. No entanto, é ainda na faixa dos 60 anos que mutios diabéticos começam a enfrentar problemas como perda de memória, dificuldade para organizar os pensamento e resolver problemas – cedo demais. Inicia-se então um círculo vicioso: a dificuldade para se lembras das coisas no dia-a-dia faz com que, muitas vezes, o controle de sua condição de ser tão caprichado e rigoroso.
Quando se trata de um paciente diabético mais idoso, vale cogitar a figura de um cuidado – um familiar ou um profissional de saúde. Até porque as gerações passadas não tinham as mesmas condições, como medidores confiáveis, para manter as rédeas sobre a glicemia. Por isso, é provável que esse idoso de hoje tenha acumulado danos e, consequentemente, problemas cognitivos, precisando de alguém por perto capaz de supervisionar os cuidado com sua saúde.

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